sábado, 6 de dezembro de 2014

O Rouxinol e o Imperador - Hans Christian Andersen

Bordado por: Regina Drumond
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Desenho: Regina Drumond


Era uma vez um rouxinol que cantava nos jardins do Palácio Imperial  da China e, como nenhum outro pássaro deixava as pessoas deslumbradas com suas maravilhosas canções.  Ao ouvir o canto do rouxinol as pessoas  diziam: Isto é maravilhoso!  Sábios escreviam sobre o palácio e o canto do rouxinol sempre era elogiado pelo povo da cidade.  Um dia chegou aos ouvidos do Imperador que  apesar de todas  as maravilhas que existiam em seu reino, nada se comparava  com o canto do rouxinol .
O  imperador ao ouvir estes  comentários  reuniu a corte, chamou o chefe da guarda e disse: Traga-me o rouxinol ainda hoje, quero que cante para mim. E... sem perder  tempo o homem saiu à procura do rouxinol  E perguntou a moça da cozinha que disse :  Quão bem ele canta! Sempre levo comida para a minha mãe e ao voltar para o palácio sento junto de uma árvore para ouvir o canto do rouxinol. E foram para o jardim  onde a moça disse: Lá está ele
Rouxinol! — chamou a moça. O Imperador quer ouvir seu  canto, por favor, venha comigo.  O rouxinol bateu as asas e voou para o ombro do homem, que feliz da vida montou no cavalo e partiu  rumo ao palácio onde um poleiro dourado  estava preparado para o rouxinol. Com a corte presente os olhares  se voltaram para o pequeno pássaro . O Imperador deu sinal para o pássaro cantar e os dois se tornaram  amigos.
O rouxinol era um sucesso em sua gaiola dourada .Certo dia, o Imperador  recebeu do Imperador do Japão uma caixa com os dizeres: ROUXINOL de corda, cuidado: objeto frágil.
Curioso, abiu a caixa e encontrou  um rouxinol mecânico feito de ouro , todo enfeitado com pedras preciosas e brilhantes. E o Imperador disse: basta dar corda que ele começa a mexer, agita a cauda, abre o bico e canta. Em volta do pescoço trazia uma fita, com a mensagem: "O rouxinol do Imperador da China nada vale comparado com o rouxinol do Imperador do Japão. "E no interior do Palácio todos os elogios se voltaram para o rouxinol dourado.
Toda a população soube do rouxinol mecânico  e mensagens chegaram para que ele se apresentasse em um concerto público. E, o pássaro de corda foi colocado para cantar sozinho. Agradou tanto como o verdadeiro rouxinol, e, alem disto era  bonito de  ver o seu brilho. O rouxinol  cantava a mesma canção muitas  vezes .Um dia  o Imperador achou que era a vez do verdadeiro rouxinol também cantar para todos.
E onde estava o verdadeiro rouxinol?   voou pela janela, para o jardim. Os cortesãos  levaram o rouxinol de corda  para cantar outra vez. E todos os elogios eram para o rouxinol mecânico: era superior ao rouxinol vivo, que foi deixado de lado.
O pássaro artificial recebeu um lugar especial numa almofada de seda junto à cama do Imperador. Tudo  continuou por um ano, até que o Imperador, a corte e o resto do povo chinês já sabiam de cor cada nota da canção do pássaro de corda.
Mas, uma noite quando o pássaro de corda estava cantando e o Imperador, deitado na cama o ouvia, algo  fez "croc!" dentro do pássaro.  O mecanismo continuou a rodar e a música parou. O Imperador  mandou chamar o seu médico, mas somente o relojoeiro conseguiu  consertar o pássaro mecânico. E todos sabiam  que o rouxinol deveria ser usado  poucas vezes; as peças estavam  gastas , e, não era possível substituí-las sem estragar o som
Os anos se passaram e uma tristeza abateu-se sobre o país. O Imperador adoeceu, e, diziam que ele estava mal. O Imperador jazia em seu leito, pálido e imóvel.  
Disse o Imperador :  — Música!  Quero música! Passarinho dourado, canta, peço  - lhe que cante! Dei-lhe ouro e coisas preciosas; pendurei o meu sapato dourado em seu pescoço com as minhas próprias mãos. Canta, peço-lhe, canta! Mas o pássaro era silencio; não havia ninguém para lhe dar corda, e sem corda não tinha voz. E a Morte  olhava  para o Imperador.
Tudo era silêncio... Quando de  repente, diante da janela do quarto do Imperador, soou a mais bela canção. Era o verdadeiro rouxinol, que  empoleirado num ramo lá fora, e sabendo da doença do Imperador,  tinha voltado para aliviar o  seu sofrimento  e trazer-lhe esperança. À medida que cantava o imperador dizia cante, cante mais, pequeno  rouxinol.
— Cantarei, e o rouxinol  cantou sobre as roseiras, sobre as árvores, e o Imperador disse: como hei de recompensar- lhe.
E respondeu o rouxinol.  Quando cantei para você pela primeira vez caíram-lhe lágrimas dos olhos e essa dádiva não posso esquecer. Essas são as joias que não se compram nem se vendem. Mas agora deve dormir para ficar bom e forte, cantarei novamente para você. E cantou, cantou e o Imperador caiu num sono calmo e reparador.
— Há de ficar sempre comigo e  só cante quando quiser disse o Imperador. E, quanto ao pássaro de corda, irei partir em  pedaços.
— Não faça isso, falou o rouxinol. Guarde-o. Eu não posso morar no palácio, deixe-me ir e vir à vontade, e à noite ficarei neste ramo, junto de sua janela, e cantarei para você.  Hei de trazer-lhe felicidade, hei de cantar para as pessoas tristes e felizes s. Cantarei sobre o bem e o mal, que sempre estão à nossa volta . Amo o seu coração, e, sempre voltarei , mas deve me prometer uma coisa.
— O que quiser! — exclamou o Imperador.
- E o rouxinol  falou  : A única coisa que lhe peço  é  para não dizer a ninguém que tem um amigo passarinho que lhe conta tudo, e deve  guardar este segredo.  
Com estas palavras, o rouxinol voou para arvores, e, os criados chegaram para ver o Imperador ainda doente, mas...  ficaram  espantados ao ver o Imperador saudável e feliz!

Hans Christian Andersen – 1844

Adaptação: Regina C.Drumond

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